Consumo colaborativo.
Quando o foco não está mais no produto e sim no seu benefício.

Consumo colaborativo.

Quando o foco não está mais no produto e sim no seu benefício.

Após décadas de um modelo de consumo em que os produtos ficam obsoletos cada vez mais rapidamente, as novas gerações começam a repensar este comportamento sob uma ótica ecologicamente responsável e com o suporte das tecnologias de rede.

Assim surgiu o consumo colaborativo, que prega a troca e o compartilhamento de produtos em vez da sua compra. Um conceito que promete mudar a relação de propriedade entre as pessoas e as coisas, transformando bens em serviços, de forma que se pague pelo uso do produto e não pelo produto em si.

O consumo colaborativo tem suas raízes nos países do primeiro mundo atingidos pela crise mundial de 2008, quando suas populações sofreram uma significativa queda de poder aquisitivo. Esta nova modalidade de consumo, além de evitar gastos com novos bens, ainda possibilitava obter ganhos com a locação de produtos que já possuíam.

Em países emergentes como o Brasil, apesar de ainda haver uma grande demanda reprimida para aquisição de produtos, a crise econômica tem sido um incentivo a mais à consciência ecológica que tem crescido principalmente entre as novas gerações. Afinal, o consumo colaborativo potencializa o aproveitamento do que é comercializado em larga escala reduzindo a utilização de matérias-primas e gerando menos resíduos que inevitavelmente são descartados no meio-ambiente.

E o leque de produtos e serviços que podem ser utilizados sem a necessidade de compra é ilimitado: livros, ferramentas, aluguel de carros, utensílios de cozinha, empréstimos financeiros, roupas, brinquedos, arrendamento de terras, locação de espaços de trabalho, etc.

Mas como uma marca pode tirar proveito disso? Em primeiro lugar na própria concepção do produto, de forma que ele seja mais amigável às plataformas colaborativas. Seja por questões de durabilidade, simplicidade e características cambiáveis para que ele possa ser reparado mais facilmente e, por conseqüência possa ser reutilizado mais vezes.

Outra possibilidade é a criação de ambientes de redistribuição da marca, facilitando o encaminhamento de produtos usados, agregando valor ao produto que é consumido pela primeira vez, além de gerar um ganho de imagem para a marca que estará indo ao encontro de uma tendência politicamente correta com forte apelo ecológico.

Mas é claro que estas iniciativas não precisam (e nem devem) ficar restritas à esfera do produto. A marca pode ser uma plataforma de consumo colaborativo com possibilidade de abranger qualquer coisa na qual os seus consumidores tenham interesse.

Enfim, as possibilidades são inúmeras e muitos produtos e serviços talvez nem tenham sido criados ainda. Mas o importante é que o foco cada vez mais se distancia do produto em si e passa para os benefícios que ele trará para quem o consome.

Talvez possa se alegar que se trata de um nicho, mas o que não se pode negar é que é uma tendência com todas as variáveis positivas para impulsioná-la. Afinal, se você pode pagar menos, ou não pagar nada por um benefício que ainda fortalecerá suas relações sociais, porque pagar por um produto que em breve estará obsoleto e será descartado poluindo a natureza?

Também pode se dizer que para a maioria das pessoas o sentimento de posse de um bem material sempre irá falar mais alto. Mas não custa lembrar que houve um tempo em que a indústria da música ganhava dinheiro vendendo objetos circulares dentro de caixinhas de plástico.

Cada vez mais as pessoas percebem que é mais importante ter acesso às coisas do que ser dono delas e as empresas terão que reinventar não apenas os seus produtos, mas também a forma como eles serão consumidos.

 

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