Como vender para a nova mulher.
Algumas empresas começam a perceber o potencial que está sendo desperdiçado e estão voltando suas baterias para o público feminino.

Como vender para a nova mulher.

Existem empresas que querem vender produtos e serviços para as mulheres sem ter familiaridade com o universo feminino. Isso acontece porque elas não estão presentes nas esferas de decisão das empresas. Segundo estudo da Bain & Company, realizado em parceria com o Linkedin este ano, apesar delas preencherem quase 60% das vagas universitárias, o número de cargos de liderança que elas ocupam caiu de 5% em 2015 para 3% em 2019.

Isto denota que a maioria das organizações são predominantemente masculinas e ainda acreditam que basta incorporar o padrão cor-de-rosa aos seus produtos para se comunicar com o público feminino. Além disso, grande parte dos gestores que se consideram atentos ao novo perfil e às novas necessidades das consumidoras, permanece com uma visão estereotipada e idealizada das mulheres.

Só que a realidade é muito mais complexa e a consumidora de hoje quer design sim, mas desde que ele atenda às necessidades de sua rotina sobrecarregada. Ela também não pensa apenas no uso imediato do que está adquirindo, mas tem uma visão muito mais abrangente dos seus benefícios e das pessoas que poderão utilizá-lo além dela própria.

Nas últimas décadas a mulher conquistou novos papéis na sociedade e mudou radicalmente sua postura. Ela hoje trabalha, é independente e não se presta mais a ser apenas a mãe sorridente que serve a família nos comerciais de margarina. Uma evolução natural do comportamento humano que a indústria e o comércio estão acompanhando, certo? Bem, talvez não com a velocidade que elas gostariam, e muitas acham que com frequência ainda são tratadas com preconceito e machismo.

Encenação do artigo “The Good Wife’s Guide,” publicado em 1955 na revista “Housekeeping Monthly”.

Hoje, além de serem grandes consumidoras, elas têm enorme poder de influência nas compras dos seus parceiros e da família. Segundo pesquisa do Boston Consulting Group, publicada no livro “Women Want More” no final da década passada elas já controlavam 70% do consumo mundial e decidiam o que era comprado em 80% dos casos.

E o Brasil não foge à regra: segundo pesquisa do instituto Data Popular 86% dos homens entrevistados disseram que suas esposas ou companheiras influenciam nos alimentos que comem, 82% nos produtos que consomem, 77% em seu vestuário, 69% no carro ou moto usado pela família e 56% nos produtos de tecnologia adquiridos. Isso sem falar na administração do orçamento doméstico, onde o índice de controle feminino chega a 82%.

Sinais de mudança no mercado.

Algumas empresas começam a perceber o potencial que está sendo desperdiçado e estão voltando suas baterias para o público feminino. Setores da indústria que até pouco tempo eram eminentemente masculinos já acompanham os principais desfiles de moda para incorporar as tendências de cores em seus produtos.

A indústria automobilística é a que parece ter mais avançado no sentido de agradar às mulheres. Além do design, soluções como painel e maçanetas projetados para não danificar unhas, forração de bancos que não desfiam meias, profusão de porta-trecos e espelho com luz são cada vez mais comuns nos projetos mais recentes.

O setor da construção civil também está  mirando o público feminino e pensando em detalhes como a inclusão de bancadas separadas no banheiro para a mulher ter mais espaço para seus cosméticos e perfumes.  Pois enquanto o homem pensa prioritariamente no aspecto financeiro, a mulher é mais detalhista e quer também um imóvel de qualidade.

Outro exemplo de empresa que começa a se adaptar à nova realidade feminina é o da Bosch, que desenvolveu uma parafusadeira à bateria mais leve, compacta e de punho mais ergonômico para proporcionar mais conforto e segurança em um equipamento que até há pouco tempo era essencialmente voltado aos homens.

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Como se percebe, foi-se o tempo em que bastava aos gestores homens buscarem na memória os padrões femininos de suas mães e irmãs ou na sua visão estereotipada do sexo oposto os referenciais para atender este segmento.  E mesmo as mulheres que ocupam cargos de decisão devem estar atentas para as mudanças que as novas gerações de consumidoras estão demandando, pois o que é uma conquista hoje poderá ser o mínimo necessário amanhã. Afinal trata-se de um mercado cada vez mais exigente e com potencial financeiro grande demais para ser desconsiderado.

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