Imprevistos não tem este nome por acaso e alguns danos são irreparáveis, mas uma empresa com um plano de gestão de crises tem condições de reduzir sua extensão, se recuperar mais rapidamente e, não raro, sair com uma imagem fortalecida como no famoso caso do envenenamento do Tylenol nos Estados Unidos em 1982 (saiba mais no post Gestão de crises, a receita para evitar uma grande dor de cabeça.).

E quando falamos de crise, não estamos nos referindo apenas a grandes acidentes, mas sim de todos os eventos que podem atingir a imagem da empresa perante os seus públicos. Os exemplos podem ir de contaminações ambientais a demissões em massa ou de desastres naturais a algum escândalo envolvendo um membro da alta diretoria.

Gestão de crises para funcionários, família e até para os pets.

Em um exemplo  extremo de profissionalismo nesta área, a NASA – agência espacial americana – mantém um programa de prevenção de crises que abrange funcionários, seus familiares e até os seus pets chamado Family/Personal Preparedness Program.

Ele parte da premissa que, para um funcionário estar em condições de enfrentar um evento do porte de uma catástrofe natural ou um ataque terrorista, ele deve ter a garantia de que seus entes queridos também estejam preparados para se colocar em segurança.

Alguns passos básicos:

A implementação de um programa de gestão de crises deve ser adequada ao perfil de cada empresa, mas um modelo que pode servir como referência é o apresentado por Mário Rosa, autor do livro “A síndrome de Aquiles”, que propõe os seguintes passos:

  1. Imagem
    É bem provável que a imagem que você faça de sua empresa não seja exatamente a mesma que os seus diversos públicos tenham dela. É fundamental ter ciência da realidade para que uma eventual distorção não se acentue em momentos críticos.

Quem somos?
Se esta resposta não está clara para a empresa, não estará para mais ninguém.

Quais são nossas virtudes?
Elas devem ser evidentes, pois talvez não sejamos vistos assim quando envolvidos em uma crise.

Como os públicos enxergam a empresa?
• O que é dito na mídia?
• Como nossos clientes nos vêem?
• Como a sociedade em geral nos vê?
• O que nossos colaboradores pensam de nós?

Como a empresa enxerga a si mesma?
Visão de dentro para dentro da organização.

Realização de auditoria de imagem.
O que os colaboradores percebem, o que não percebem, quais os setores mais aptos para responder a uma crise.

Definição da missão
Centro gravitacional: manifestações e posicionamento da empresa.

Código de conduta estruturado
Define a cultura da organização.

  1. Vulnerabilidades
    É recomendável a criação de um Comitê de Auditoria e Risco, com o objetivo de lançar um olhar isento sobre a empresa e o cenário onde ela está inserida, identificando vulnerabilidades, possíveis crises que possam ocorrer e o nível de preparo exigido para enfrentá-las.
  1. Comando
    A Gestão de Crises não é uma tarefa, mas um processo que, como tal, deve ser constantemente conduzido e avaliado por uma equipe permanente com uma agenda definida.

    É primordial que haja participação direta da presidência da empresa, tendo um membro da alta administração como coordenador para que haja um comprometimento de todos os envolvidos. Deve também ser composto por todos os diretores da empresa, representantes das áreas de operações, segurança e qualidade, além de um consultor externo.

Atribuições:
• Definir papéis dentro da empresa;
• Sensibilizar a empresa;
• Elaborar o Plano de Contingência;
• Organizar o Kit de Crise;
• Implantar processos;
• Monitoramento.

  1. Rumo
    É definido pelos valores da empresa, que expressam sua atitude e a sua cultura, ditando as regras sobre como agir em uma crise.
  1. Apresentação
    É fundamental que seja definido um Porta-Voz para a empresa, pois será ele que apresentará o rosto da organização quando a crise eclode, significando que o fluxo de informações estará concentrado em uma só pessoa.

    A sua forma de atuação deve ser bem estruturada e ele pode ser o líder máximo da organização ou um dos seus acionistas máximos, desde que saiba expor corretamente a sua face pública.

Três regras do trabalho do porta-voz:
• Dizer tudo o que puder, o mais rápido que puder;
• Falar com uma única voz;
• Nada substitui a honestidade.

  1. Ferramentas
    Confeccionar um Kit de Crise reunindo dados relevantes da empresa, contatos dos formadores de opinião dos diversos públicos, além de conteúdos e fatos que contribuam para solidificar a imagem da organização em períodos de crise.
  1. Públicos
    É importante que haja clareza de quais públicos serão atingidos, utilizando mídias e mensagens distintas, uma vez que seus interesses são diferentes.

Quem pensa antes, pensa melhor.

Talvez a sua empresa esteja vivendo em um cenário tranquilo e não haja nada no horizonte que represente a mais remota ameaça.

Pois este é o momento ideal para se preparar para o imponderável, porque no calor de uma crise a probabilidade de se tomar decisões equivocadas aumenta consideravelmente.

Também não custa lembrar que na sociedade atual a transparência é uma condição sine qua non e os equívocos contam com espaços multiplicados para sua divulgação.

O roteiro acima é apenas um modelo, o ideal é contar com o apoio de profissionais qualificados em Gestão de Crises para fazer frente a situações indesejadas.

 

Compartilhe