Carl Sagan e a importância do pensamento cético no universo de interesses que nos cerca.

Há alguns anos uma emissora de TV fez uma matéria com um ufólogo e paranormal (sic) do Mato Grosso do Sul que incluía uma entrevista com um suposto extraterrestre. Naturalmente fica fácil rir de pessoas ingênuas que acreditam neste tipo de fraude tosca, mas quando o tema é mais convincente e os argumentos são razoavelmente bem estruturados, somos menos céticos e mais propícios a acreditar.

Principalmente se as informações partem de fontes que nos parecem confiáveis como imprensa, blogs e compartilhamentos de nossos amigos nas redes sociais, principalmente em um cenário em que a quantidade de informação é tão grande que para manipular uma verdade basta reagrupar seus fragmentos ou jogar luz nos que confirmem nossas crenças.

Não estou falando apenas de excentricidades, mas de questões relevantes para a nossa vida, como política e economia, por exemplo.  Basta ouvirmos a versão (geralmente superficial) de uma destas fontes para tomarmos posse da verdade e nos lançarmos à batalha do convencimento de quem tenha uma visão diferente da nossa.

Para que não sejamos apenas receptores e transmissores de fragmentos de informação descontextualizados, precisamos conservar a mente aberta a todas as possibilidades: que o conteúdo que estamos recebendo é plausível em sua totalidade, em partes ou completamente falso. Lembrando que muitas vezes os maiores engodos são os menos perceptíveis

Antes de compartilhar qualquer fato, o ideal  é que as informações sejam confirmadas em mais de uma fonte. O aprofundamento e a pluralidade de fontes são alicerces robustos para uma visão mais clara da realidade.

A análise desapaixonada dos argumentos e a identificação dos pontos de contato com versões previamente testadas permitem identificar quais são merecedores de ocupar um espaço na prateleira das possibilidades viáveis.

 

O Mundo Assombrado Pelos Demônios – A ciência vista como uma vela no escuro – Carl Sagan, 1995.

Nessa obra, Sagan apresenta o método científico a leigos encorajando-os a pensar de maneira crítica e cética. Sagan afirmava que o pensamento cético é uma maneira de construir, entender, racionalizar e reconhecer argumentos válidos e inválidos, e prová-los de maneira independente. Ele acreditava que a razão e a lógica devem prevalecer a favor da verdade.

 

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