O conceito de storytelling surgiu da necessidade de transmissão de conteúdo, que se confunde com o início da humanidade. A melhor forma de utilização desta ferramenta é partir de fatos da própria empresa, que devem ser  reorganizados dentro do contexto de uma trama de forma a se obter uma história. A sua metodologia envolve uma série de técnicas para a construção do universo ficcional, a evolução da narrativa, o desenvolvimento dos personagens e os “ganchos” que prendem a atenção do público.

Estrutura do storytelling:

  • Story puro – a história original, ou o ângulo ainda inexplorado;
  • Matéria-prima – onde se define pontos como: memória – acontecimentos simbólicos da marca ou da pessoa, técnica a ser utilizada e onde melhorar a história – o que falta, qual o conflito e onde o personagem precisa passar por transformações;
  • High Concept – linha principal, sobre o que a história vai falar;
  • Recheio da história – os personagens, os laços, lugares e os artefatos que fazem parte e dão significados Importantes para a narrativa. Assim conseguimos iniciar a sua construção e definir o que ela tem de especial, em qual momento se encontra, qual mensagem quer passar e onde quer chegar.

Funções do storytelling

  • Autopromoção – conseguir vender sua ideia e até sua imagem de forma eficaz;
  • Memória – transformar o histórico da empresa em história e assim eternizar a sua memória;
  • Brand belief – tornar stakeholders em embaixadores, atuando como defensores da marca;
  • Capacitação – é a função de entreter e ainda assim construir novos talentos;
  • Lançamento – consiste em lançar uma nova marca (produto/serviço) com alto awareness (percepção do consumidor) de marca;
  • Patrimônio ativo – desenvolver uma história na qual a temática permaneça mesmo depois de décadas;
  • Branding – agregar valor a marca destacando o uniqueness (benefício único);
  • Long tailing – a quebra no custo de mercado ao criar uma diferenciação de marca;
  • Share of wallet – incrementar as vendas ao instituir um novo hábito de consumo;
  • Share of heart – aproximar-se das pessoas ao estabelecer vínculos emocionais;

Benefícios do storytelling

Conhecimento – Dentro de uma história é mais fácil assimilar os dados fornecidos, assim as histórias contribuem para que as pessoas tenham conhecimento de algo de forma mais rápida e satisfatória.

Contextualização – Mensagens contextualizadas tendem a ter menos resistência, criando uma situação onde o público fique com sua atenção plena, voltada para mensagem que está sendo transmitida.

Projeções – A pessoa pode se projetar na história, se identificando com o personagem, encaixando-se na história e obtendo mais atenção.

Envolvimento – As pessoas se envolvem com a história, dedicam seu tempo a ela, mostram mais intimidade ao ouvir histórias.

Estabelecimento de valor – Uma marca pode agregar valor ao seu produto através da história, afinal histórias são apaixonantes, e as pessoas usam histórias na hora de decider uma compra.

Difusão espontânea – Não é necessário investor nada para que uma boa história seja difundida, as pessoas que se engajam na história fazem isso, passando de pessoa a pessoa. Um grande benefício sobre a ótica de Comunicação.

Perenidade – As histórias podem ser eternas, sempre que são contadas se mantém vivas e são difundidas por todos. Uma boa história pode durar séculos.

Vivência – As marcas podem proporcionar a vivência da história, influenciando-as através do brand experience (marketing da experiência)

Conexões – As histórias criam situações no imaginário das pessoas, estabelecendo conexões com outros universos, brincando com lúdico e o imaginário coletivo.

Engajamento – Este benefício faz com que as pessoas possam partiipar da história, complementá-las, dar opinião e se sentirem parte dela.

Mudança de percepção – Uma história nova e bem contada pode mudar a percepção das pessoas em relação a algum tema, sendo infinitas as possibilidades dentro do meio corporativo, obtendo sempre uma nova percepção sempre que preciso.

A conexão com o público começa com a estrutura

Uma boa história é a que tem conexão com o seu público e, para isso, ela deve ter padrões estruturais reconhecíveis e com pontos de contato com a sua realidade.

No livro “O herói de mil faces”, Joseph Campbell, um dos maiores mitólogos de todos os tempos, realiza uma análise da esrutura de mitos, lendas e fábulas, bem como histórias modernas e roteiros de filmes. Ele constatou que em todas as histórias existe uma figura heróica, que não precisa necessáriamente ser uma pessoa, e que a narrativa gira em torno de suas atribulações.

Jornada do Herói

Segundo a estrutura de eventos desenvolvida por Campbell, o herói passa por 12 etapas:

1 – Mundo comum: o herói é apresentado em seu dia-a-dia;

2 – Chamado à aventura: sua rotina é quebrada por algo inesperado, insólito ou incomum;

3 – Recusa ao chamado: não quer se envolver e prefere continuar sua vida cotidiana;

4 – Encontro com o Mentor: pode ser tanto com alguém mais experiente ou com uma situação que o force a tomar uma decisão;

5 – Travessia do Umbral: o herói decide ingressar num novo mundo e sua decisão pode ser motivada por algo que o obrigue, mesmo que não seja essa a sua opção;

6 – Testes, aliados e inimigos: no mundo fora do seu ambiente normal, o herói passará por testes, receberá ajuda (esperada ou inesperada) de aliados e terá que enfrentar os inimigos;

7 – Aproximação do objetivo: se aproxima do objetivo, mas a tensão aumenta e tudo fica indefinido;

8 – Provação máxima: É o auge da crise;

9 – Conquista da recompensa: passada a provação máxima, o herói conquista a recompense;

10 – Caminho de volta: após ter conseguido seu objetivo, retorna ao mundo anterior.

11 – Depuração: o herói pode enfrentar uma trama secundária não totalmente resolvida anteriormente;

12 – Retorno transformado: o herói volta ao seu mundo, mas não é mais o mesmo.

 

Com o foco voltado para o marketing (sendo o herói, neste caso, a sua empresa, seu produto ou seu serviço), os principais modelos de conexão utilizados, além da jornada do herói já descrita acima, são:

Herói por acidente (ou herói relutante)

Neste formato a marca se coloca como alguém que está na posição de herói por acaso. Tinha um problema, descobriu como resolvê-lo e passou a solução para alguns amigos. A sua reputação foi se consolidando e cada vez mais pessoas começaram a lhe procurar até  que você montou o seu negócio.

Nós contra eles

O segredo aqui é se posicionar de forma diferenciada do restante dos concorrentes, que teoricamente escondem segredos dos consumidores. Você claramente não é um deles, mas sim alguém como o seu cliente e por isso pode ajudá-lo de verdade.

A jornada do homem comum

Você se apresenta como uma pessoa simples que obteve sucesso e não uma personalidade altamente preparada que pode parecer inatingível. Desta forma você gera uma identificação destes futuros clientes com a sua história, criando nas suas mentes a esperança de obter um sucesso igual ao seu.

Do fracasso à fama

Aqui o que vale é a associação com uma pessoa comum que tinha um problema específico, até que algo aconteceu e foi feita uma descoberta que revolucionou a sua vida. E agora você quer compartilhar esta ideia que pode fazer o seu cliente também sair do fracasso e ir para a fama.

Nós somos parecidos

Como o próprio nome indica, o foco é identificação. Você se coloca como bastante parecido com o cliente e portanto é capaz de lhe entender, afinal vocês tem os mesmos sonhos e medos. Mas você encontrou a solução para o seu problema e decidiu compartilhá-la com todos.

 

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