O Do It Yourself – faça você mesmo – é a valorização do esforço e do talento individual, desmistificando a ideia de que, para obter um produto, você precisa comprar um novo ou contratar alguém para fazê-lo. E este movimento conquista um número crescente de adeptos que aprendem a fazer desde cerveja até móveis.

O começo de tudo – se não fazem o que eu quero, eu vou fazer do meu jeito.

Nos anos 70, os jovens dos Estados Unidos e Europa não se identificavam mais com as bandas milionárias de rock que faziam discos cada vez mais superproduzidos, lançados por grandes gravadoras que não queriam se arriscar com novidades.

Frustrados com a decadência do rock, perceberam que se não construíssem por sua própria conta uma nova cena musical que os representasse, ninguém faria por eles.

Foi neste contexto que o movimento punk surgiu, provando que qualquer um podia chegar e fazer o som como quisesse e soubesse, lançando as bases do Do It Yourself.

Com o tempo a filosofia DIY transcendeu a música, associando-se a qualquer projeto que obtenha sucesso sem utilizar grandes volumes de recursos materiais ou financeiros desde que, é claro, seja executado por você mesmo.

Por ser politicamente correto, afinal envolve cooperação e frequentemente reutilização de materiais, com consequente redução do impacto ambiental e de consumos inúteis, o espírito DIY vem se revelando um mercado bastante promissor.

As oportunidades de negócio vão desde sites e publicações voltados para este segmento, como a revista americana Make Magazine, até o desenvolvimento de novos produtos como o Sugru, uma massa de silicone que pode ser moldada à mão e que possibilita todo tipo de adaptação e reparo.

SUGRU, um material revolucionário permite consertar/melhorar quase tudo:

Na prática a teoria é outra, mas tem alguém que se dispôs a provar o contrário.

Hoje existem pessoas que não se contentam em criar ou consertar produtos domésticos, mas vão além e tem como objetivo transformar toda a sociedade. São os hackers da vida real.

O norte-americano Marcin Jakubowski, que possui doutorado em física pela Universidade de Wisconsin, fundou o movimento Open Source Ecology (Ecologia de Código Aberto), uma rede colaborativa de especialistas em diversas áreas que desenvolve plataformas tecnológicas abertas para a fabricação de um conjunto básico de equipamentos necessários para o estabelecimento de uma comunidade autônoma.

O Global Village Construction Set, como é chamado, é composto por diversas máquinas de baixo custo e fácil construção que utilizam materiais reciclados ou facilmente encontráveis. Tudo para possibilitar a sobrevivência de uma comunidade de 200 pessoas de uma forma totalmente autossuficiente, a partir do zero.

Entre os equipamentos estão painéis solares, trator, laser de precisão, moinho, turbina, betoneira e até prensa para produzir circuitos impressos, cujos projetos open source estão disponíveis gratuitamente e são continuamente melhorados online.

Tecnologia barata para quem quer por a mão na massa:

Faça você mesmo ou dê espaço para os que fazem

No decorrer da história, houve um crescente movimento pela especialização que nos tornou absurdamente dependentes e incrédulos da nossa capacidade de criar ou consertar qualquer produto de forma autônoma.

O DIY é uma filosofia que desmistifica os objetos que nos cercam, encorajando a entendê-los, repará-los e adaptá-los às nossas necessidades, em oposição à cultura do descartável.

É cedo ainda para dizer se é uma tendência macro ou um nicho específico de mercado. Mas seja qual for o caso, trata-se tanto de uma oportunidade comercial (que algumas empresas já estão aproveitando), quanto um convite à reflexão de como a abordagem multidisciplinar necessária para implementar o “faça você mesmo” pode ser aplicada em nossas vidas pessoais e/ou profissionais.

Afinal chega um momento na vida em que não dá mais para esperar pelos outros.

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